segunda-feira, 3 de outubro de 2005

Nota rápida

Os leitores do Crepúsculo, querem ouvir que música de Vinicius? Posso tratar disso. :)
Escolham a musica mas leiam também o post de baixo que é de uma dread bué da fixe.

Abraço a todos, uma boa semana!

sexta-feira, 30 de setembro de 2005

A minha "Dread" e a revolta contra os Betos

Posted by Picasa

Em Gaia no torneio de 2004 onde ganhou a medalha de prata "peso 25 a 30" kilos

Hoje vou vos falar da minha querida "sobrinha" e da influência negativa de uma certa novela e da luta dela entre os:

Dreads e Betinhos

Com 10 anos já tenta acompanhar a moda. Diz que é uma "dread" (malditos Morangos com Açúcar!). O pior é que, pelos vistos, me obriga a mim a ser "dread" também. Se quero ouvir um CD no carro, ora tem de ser a música dos D'zart, morangos com açúcar ou ainda uns quantos outros"eu que me aguente" se digo não, vai cara virada para o vidro da janela toda a viagem e se me distraio lá põe ela a musica que ninguém ouve . Nada de músicas minhas, porque essas músicas são de "betos" e ela não é "betinha", pois claro!
Quando lhe coloco a roupa para ela vestir para ir para a escola, escolhendo eu, claro, do que acho que melhor combina com ela de forma a ficar assim a minha coquetezinha, ela sai da banheira e entra pelo quarto dentro de rompão e diz: "não quero esta roupa, já te disse que não sou beta!" É discussão garantida! Às vezes sou condescendente, outras nem por isso. Gosta de andar de calças super compridas, de preferência um pouco desfiadas em baixo mas que vergonha penso eu... Nada de T-shirts com gola, porque é "à beto", claro! Mas pensando bem e ás tantas ainda tenho é sorte, porque pelo menos a linguagem dos tais "dreads", conhece-a, mas não a usa, graças a Deus.
É uma rapariga toda virada para o desporto.Mas preocupadíssima em não engordar, ás vezes entra em pánico, porque acha que descobriu que tem celúlite. Pois respondo eu em tom sarcástico só se for nas "orelhas". Desde os 4 anos que pratica Taekwondo. É cinto castanho e 3º Kup e já ganhou 2 medalhas em "prata"em competição. A informação dada pelo instrutor dela é que ela é obediente e tem um grande poder de concentração nos combates. Porque tem de ser uma pestinha para mim!!! Mas tenho de confessar eu adoro a agressividade dela e a espontaneidade com que se manifesta, "sai á tia" que com 13 anos obriguei a minha mãe a dar-me uns sapatos de salto alto que estavam na moda e faziam tric tric olaré.
A minha "dread" é a minha maior crítica. Quando faço alguma coisa de que não gosta, seja lá por que razão for, está sempre a reprovar-me. Quando em situações públicas a que tenho de me expor, tem sempre que me reprovar, ou porque tremi, ou me engasguei, ou estava nervosa, enfim, lá vem crítica, tira-me do sério por vezes e claro como não tenho sangue de barata, alteio-lhe a voz mesmo na rua, não é que ela se afasta como não me conhecendo, e quando me aproximo "depois de confirmar que ninguém está a ver" olha-me com um ar de quem não me conhece e diz "nom tom acusatório" "só me envergonhas" ai que um dia, eu passo-me a vai haver problemas no meio da rua ;). Por vezes fico triste com esse comportamento dela, e lá vem a lagrimazita, o que a preocupa de imediato, e eu tenho de usar a mentirita benévola: "é da constipação, não te preocupes" meu amor “pois o costume”responde ela sem complacência.
Para a minha “dread” ter 30 anos é ser-se velho, ó meu Deus, que desolada fico com esse adjectivo .
Mesmo querendo ser uma "dread" pura e dura, aqui há dias recebi uma convocatória da escola para ir falar com a directora de turma dela, fiquei toda babada com o que ouvi . Então, de acordo com a directora de turma, ela é uma menina super educada, com boas maneiras, que fala muito bem e só fala quando lhe é feita alguma pergunta, fora disso mantém-se em silêncio e atenta. "isto ora põe me assim com cara de bókó",que se distingue, no meio de uma multidão de crianças. Nada que ainda não soubesse: bem comportada fora de casa, pestinha só comigo! É a minha "dread" favorita, mesmo se para ela não passo de uma "betinha"embora ela diga que estou a melhorar, pois já tenho corsários remendados e tal, é que ela repara nisso!

A música dela favorita “Todo o tempo” dos D’zart.

quinta-feira, 29 de setembro de 2005

"Saudade"
























Saudade

Saudade é solidão acompanhada, é quando o amor ainda não foi embora, mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou, é recusar um presente que nos magoa, é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam, é a dor dos que ficaram para trás, é o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade: aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos: não ter por quem sentir saudades, passar pela vida e não viver. O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

Autor: Pablo Neruda

Deixo um abraço a todos...

segunda-feira, 26 de setembro de 2005

Uma preocupação




Queridos amigos quero partilhar com vocês este tema…

O futuro da nossa música poderá ser uma espécie de hip-hop do tipo Americano, o destino da nossa culinária poderá ser o Mac Donald’s.

Falamos da erosão dos solos, da desflorestação, mas a erosão da nossa cultura é ainda mais preocupante.

O nosso corpo social tem uma história similar de um indivíduo. Somos marcados por rituais de transição: o nascimento, o casamento, o fim da adolescência, o fim da vida.

Eu olho a nossa sociedade urbana e pergunto-me: será que queremos realmente ser diferentes? Porque eu vejo que esses rituais de passagem se reproduzem como fotocópia fiel daquilo que eu sempre conheci na sociedade. Dançamos a "valsa", com vestido comprido, num baile de finalistas que é decalcado daquele do tempo dos meus avós, e acreditamos que tudo é novo e que tudo mudou. Copiamos as cerimónias de final de "curso" a partir de modelos de outros países por exemplo Inglaterra .

Falei da carga de que nos devemos desembaraçar para entrarmos a corpo inteiro na modernidade. Mas a modernidade não é uma porta apenas feita pelos outros. Nós somos também carpinteiros dessa construção e só nos interessa entrar numa modernidade de que sejamos também construtores.

A minha mensagem é simples: mais do que uma geração tecnicamente capaz, nós necessitamos de uma geração capaz de questionar a técnica. Uma juventude capaz de repensar o país e o mundo. Mais do que gente preparada para dar respostas, necessitamos de capacidade para fazer perguntas. Portugal necessita de descobrir o seu próprio caminho num tempo conturbado e num país sem rumo. A bússola dos outros não nos serve, o mapa dos outros não ajuda. Necessitamos de inventar os nossos próprios pontos cardeais. Interessa-nos um passado que não esteja carregado de corruptos, interessa-nos um futuro que não nos venha desenhado como uma receita financeira.

A Universidade deve ser um centro de debate, uma fábrica de cidadania activa, uma forja de inquietações solidárias e de rebeldia construtiva. Não podemos treinar jovens profissionais de sucesso num oceano de falsas promessas. A Universidade não pode aceitar ser reprodutora da injustiça e da desigualdade. Temos de lidar com jovens e com aquilo que deve ser um pensamento jovem, fértil e produtivo. Esse pensamento não se encomenda, não nasce sozinho. Nasce do debate, da pesquisa inovadora, da informação aberta e atenta ao que de melhor está a acontecer no mundo.

A questão é esta: fala-se muito dos jovens. Fala-se pouco com os jovens. Ou melhor, fala-se com eles quando se convertem num problema. A juventude vive essa condição ambígua, dançando entre a visão romantizada e uma condição maligna, um ninho de riscos e preocupações (a SIDA, a droga, o desemprego).
Um abraço

quinta-feira, 22 de setembro de 2005

"Soneto da Fidelidade"


Soneto da Fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zêlo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e darramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contetentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, pôsto que e chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Autor: Vinicius de Moraes