quarta-feira, 14 de dezembro de 2005

Carta ao Pai Natal - Francisco Louçã


Aviso:Não copiei o poema de ninguém, foi me enviado por email, por esse motivo é meu.
Não sou de esquerda e muito menos gosto do Loucã, achei piada ao email e decidi dividir convosco.


Isto não é uma carta!
É um manifesto. Um protesto. Uma petição
Assinada por dezenas de intelectuais
E outras pessoas que jamais
Se reviram numa festa
Bacanal
Orgia de oferendas
Dadas sem qualquer critério
E que perpetuam uma tradição
Caduca. Reaccionária. Clerical.
Que tu representas oh pai do natal.
Com esta petição pretendemos
Que a data seja referendada
Não imposta, decretada
Por um estado economicista e liberal
E que seja celebrada quando um homem quiser
Não à roda da mesa. Consoada.
Mas num portuguesíssimo arraial.

Assina: Francisco Louca

sábado, 10 de dezembro de 2005

Fazer bem...



A ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE SOLIDARIEDADE MÃOS UNIDAS Pe. DAMIÃO, também designada por MÃOS UNIDAS Pe. DAMIÃO – PORTUGAL é uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), reconhecida como Pessoa de Utilidade Pública.

A ASSOCIAÇÃO MÃOS UNIDAS Pe. DAMIÃO – PORTUGAL é uma Organização Não Governamental – ONG – de cooperação para o desenvolvimento e de ajuda humanitária. É uma organização sem fins lucrativos, apolítica e sem preconceitos raciais.

A ASSOCIAÇÃO MÃOS UNIDAS Pe. DAMIÃO – PORTUGAL é membro da Associação Europeia CERCLE – Cercle de Solidarité Follereau – Damien.

Porque somos pela vida, o trabalho da Associação Mãos Unidas Pe. Damião emerge do direito fundamental de todos os seres humanos a terem acesso a cuidados de saúde, independente da nacionalidade, religião, ideologia ou raça. Queremos dignificar o doente, esteja ele onde estiver.

Os conflitos étnicos, as catástrofes naturais, a guerra e as doenças provocam anualmente milhares de mortes em todo o mundo. Ao mesmo tempo, a pobreza, a exclusão social, os sem abrigo, a toxicodependência e a prostituição marginalizam taxas de população cada vez mais acentuadas. A ASSOCIAÇÃO MÃOS UNIDAS Pe. DAMIÃO – PORTUGAL, perante tais cenários, tem prestado uma ajuda humanitária, minorando assim o sofrimento das populações e reduzir as assimetrias sociais existentes, sobretudo nos países do terceiro mundo.

A ASSOCIAÇÃO MÃOS UNIDAS Pe. DAMIÃO – PORTUGAL nasceu da solidariedade e da vontade das pessoas em contribuírem de uma forma eficaz para o desenvolvimento de um mundo mais justo e mais humano. Sendo uma IPSS e uma ONG de ajuda humanitária e de cooperação para o desenvolvimento, tem como trave mestra a prestação de serviços de saúde, tendo, no entanto, como pilar, a luta contra as doenças da pobreza , também chamadas as doenças tropicais: Tuberculose, Lepra, Malária, Cólera, Poliomielite, SIDA.

Para além da nossa ajuda humanitária se dirigir além fronteiras, queremos também agir no nosso pais, lutando contra as situações de carência, exclusão social, Sem Abrigo, Deficientes, Doentes de SIDA, Crianças da rua e Crianças Orfãs.

É com esta firme vontade que queremos chegar a todos os portugueses para poder partilhar estes objectivos com todos os que queiram dar-nos as Mãos, porque e como dizia Madre Teresa de Calcutá: "Há uma gigantesca força que está a crescer no mundo, chama-se trabalho partilhado".
Podem saber mais aqui.

Contactos:

Rua Gomes Freire, 211 – A/B

1150-178 LISBOA

Telefone: 21351 57 20

Fax: 21 351 57 27

Site: www.maos-unidas.pt

E-mail:geral@maos-unidas.pt

terça-feira, 6 de dezembro de 2005

Quem é o pai natal? Natal é nascimento, neste caso o de Jesus. As crianças sabem disso!!!


Amigos hoje resolvi falar-vos do Natal.
Lembro com grande saudade o Natal autêntico, não a palhaçada que agora fazem com essa quadra. Lembro-me do Natal em casa dos meus pais e meus tios. Era uma magia que vivíamos, tão fantástica que não consigo descrever a emoção desses tempos.
Desde criança que vivi rodeada de gente. Eram os trabalhadores da casa e a minha família. Éramos 10 filhos e era mágico o ambiente desse dia. No dia 24, pela manhã, a minha mãe ia às compras e nós ficávamos a enfeitar a casa e a fazer o presépio. Íamos buscar musgo, procurar um pinheiro e, depois, enquanto os rapazes da casa faziam o presépio nós, as raparigas, íamos às árvores do campo e do jardim colher ramos para fazer o arranjo da mesa da sala de jantar. A mesa era enorme, logo tínhamos de compor um arranjo grande. Lembro-me que forrávamos uma caixa de transporte de azulejos com papel de prata vermelha e depois decorávamos essa caixa com ramos, de nespereira, de pinheiro e sobreiro, e muitas outras de que não lembro do nome. Colocávamos algodão e bolinhas coloridas e deitavamos farinha de trigo para imitar a neve e depois de posta a toalha, colocávamos o arranjo na mesa. Em seguida era decorado o pinheiro. A sala ficava com um aspecto mágico.
O almoço desse dia era muito simples. No fim da refeição de almoço, a minha mãe começava a fazer os doces da quadra e saía da cozinha um cheirinho fantástico. Nesse dia ninguém se zangava pois estavam todos empenhados na tarefa de arranjar a Ceia de Natal e com tudo adequado ao que celebrávamos, que era o nascimento de Jesus. Uns partiam nozes, outros pinhões e outros desfaziam o pão para os mexidos. O fogão de lenha era pequeno para tantos tachos. Nós participávamos em tudo, pois nesse dia todo o pessoal que trabalhava lá por casa ia para suas casas ao fim do almoço.
No início do jantar era fascinante. A minha mãe preparava a lareira com grandes toros "Madeira" para durarem noite toda. Todos sentados à mesa sentíamos aquela alegria de ser a Ceia de Natal, a noite de Consoada. O jantar, ainda que simples, era sempre tão delicioso: as batatas cozidas com bacalhau, olhos de couve e grelos, nada mais. O resto eram os doces confeccionados pela minha mãe, as deliciosas rabanadas, a aletria, os mexidos e os bolinhos de jerimú. O meu pai comprava um pão de ló, e havia ainda muitos frutos secos.
Não era a riqueza do menu, era a riqueza da reunião familiar, da alegria de comemorar o nascimento de Jesus que nos deixava tão felizes, e assim ficávamos noite dentro jogar ao “rapa” com o meu pai contavamos estórias etc. O divertimento durava madrugada adentro, até que, enfim vencidos pelo cansaço e pelo sono, lá ia cada um para a sua cama. Na manhã seguinte os mais pequenos tinham ao lado deles, na cama, uma prendinha. Quando eram dois na mesma cama, tinha a mãe de escrever o nome de cada um, para não haver problemas. Era fantástico ver a letra do menino Jesus, magnífico!

O Natal de hoje é uma ofensa ao autêntico Natal. Para já, as pessoas não comemoram nada, e depois anda aí alguém a quem chamam de Pai Natal, confesso não sei quem é, senão uma invenção da Coca Cola. Gastam-se rios de dinheiro em prendas que nada tem a ver com o Natal. Â ideia das prendas vem do S. Nicolau, antecessor do Pai Natal da Coca-Cola, e que se comemorava em 6 de Dezembro. As crianças estão de tal maneira anestesiadas com tantas prendas que nem sabem o que o dia representa. Mostram-lhes o Pai Natal e elas coitadinhas são vitimas da ignorância dos pais. Para as crianças de hoje, quem é o menino Jesus? Não sabem.
As pessoas presentemente vivem esta quadra de uma forma que nada tem a ver com o Natal. Gastam milhares em prendas e as crianças recebem mais brinquedos do que faz sentido, e no fim não lhes ligam nenhuma. Como dizia uma funcionária de uma loja de brinquedos “Crise! Qual crise? O menino diz que gosta do brinquedo, pode ser caro,mas os pais vem à mesma comprá-lo”. Que despesismo louco, desenfreado e supérfluo, em que se gastam mundos e fundos! Que desvirtuar do sentimento do verdadeiro Natal, em que se valorizam as prendas superflúas e em que não se ensina às crianças que é o nascimento de Jesus que se celebra. Sinto revolta deste novo conceito de Natal.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

Truques para vencer a depressão


Uma pequena lista de truques que podem ajudar a vencer uma depressão:
  • alugar filmes de comédia;
  • fazer exercício (uma caminhada, uma corrida, uma ida ao ginásio) porque alivia o stress e funciona como distracção ;
  • fazer voluntariado, porque os benefícios do altruísmo são reais;
  • ouvir música, cantar alto e dançar muito;
  • enfeitar a casa com flores de cores vivas;
  • sair com os amigos porque o suporte social e o sentimento de pertença são muito importantes;
  • adoptar um animal de estimação;
  • quando possível, aproveitar ao máximo a luz do sol;
  • mudar de ambiente (por exemplo passar um fim de semana fora com amigos... porque não?).
Pequenos truques que podem ajudar a fazer a diferença. Mais informação sobre a depressão, aqui.

segunda-feira, 28 de novembro de 2005

Depressão nervosa


Hoje quero dedicar este post a uma amiga virtual, por uma questão de respeito e carinho por ela não menciono o seu nome, mas é em sua intenção que o vou escrever.
Vou escrever um relato da minha vida que me levou a uma depressão nervosa durante 3 anos e meio em tratamento, um ano antes para acentuar a doença e um ano depois desses 3 anos e meio para me tentar enquadrar.
Pois minha querida, a depressão é algo que nos bate á porta sem que para isso estejamos preparados. No meu caso o que a despoletou foi um compromisso e uma responsabilidade que assumi, cheia de sonhos, cheia de romantismo e cheia de vontade de ser uma pessoa feliz e fazer alguém feliz.
As coisas não correram assim. Foi tudo ao contrário e a minha vida deu uma volta de 180º. Deixei de ver sorrisos para ouvir berros e deixei de ouvir dizerem que eu era excepcional para passar a ouvir dizer que não valia nada, que era uma nulidade em todos os aspectos. Como isso me doía! Deixei de ser acarinhada e em seu lugar havia a reprovação a humilhação e gritos meu Deus, os gritos. O que hoje estava certo amanhã já estava errado. Depois aquelas palavras que me diziam feriam como facas afiadas. Ai como foi doloroso; ora a comida não era boa, ora eu deitava cedo, ora eu deitava tarde, ora eu acordava tarde , ora eu não sabia fazer o que me mandavam. Eram-me mandados fazer trabalhos pela primeira vez aos berros e era-me dito : "eu quero isso aqui bem feito ainda não o sabes fazer ora mas que profissional és tu!!!" Tudo isto era no sentido de me torturar psicologicamente, e muitas outras coisas que por uma questão de dignidade me recuso a descrever.
Ao fim de 5 anos eu estava debilitada moral e mentalmente. Sei que me sentia muito mal, deixei de conseguir dormir mais que meia hora seguida, tinha ataques de pânico, tinha medos e assustava-me e tinha a sensação de que não respirava. Fui algumas vezes noite dentro parar ao hospital porque acordava com a sensação que não respirava. Tinha ataques de calor e por vezes quando saia em trabalho chegava a meio do caminho voltava para traz com o medo de desmaiar. Estava a fazer uma qualquer visita numa repartição publica, pois o meu trabalho a isso obriga, e bastava que alguém me dissesse está pálida, para eu entrar em pânico e deixar o trabalho a meio fugir para o escritório para desmaiar lá. Mas nunca desmaiei pois lá chegada já estava bem.

Entre tantas e tantas coisas que me aconteceram, uma delas e a mais tortuosa foi a de não mais conseguir ter o meu corpo em repouso, eu sentia-me como quem anda num trem cheio de trepidação, essa era a sensação. Nunca mais consegui estar em paz. Aquela sensação de me encontrar sempre num lugar que tremia era uma constante. Essa foi a pior coisa de todas, era aterrador e ainda hoje sinto receio dessa sensação.

Um dia entendi que necessitava de ajuda e percebi que só um psiquiatra me trataria, pois os ataques de pânico eu percebia que eram falsos assim como a falta de ar era falsa. Pensei que só podia estar doente da mente . Fui à consulta e na primeira meti os pés pela frente das mão e quase não consegui dizer nada, mas ele era médico e sabia o que eu tinha. Ouviu-me durante uma boa hora e passou-me uma receita.

Comecei a tomar a medicação mas nada melhorou, como eu pensava, no imediato. A única coisa que passei a conseguir foi dormir, mas o resto tudo era igual. Na semana seguinte voltei ao médico como me havia sido recomendado e disse que não estava melhor mas tudo igual só que tinha começado a dormir. Foram me receitados outros medicamentos e disse-me para voltar na outra semana .Quando voltei lá disse que nda tinha mudado e que tinha mesmo melhorado e tudo estava igual. Disse o médico :"eu não te quero internar" . Eu nem noção tinha do que ele queria dizer com aquela frase . Deu-me uma nova medicação que quando tomava um dos comprimidos, adormecia de imediato. E assim fui seguindo a minha vida dependente da consulta e dos medicamentos durante quase 4 longos anos .
Chegou uma altura em que comecei a não gostar da minha situação porque eu sabia que o medicamento só meia hora depois de ser tomado fazia efeito e eu ficava logo bem mal que o engolia. Comecei a pensar em mim sempre com um saco de medicamentos atrás . Não podia ser assim pensei eu. Comecei a conversar com pessoas sobre o meu problema. Logo fui aconselhada por umas a ir ao psicólogo por outros a ir para às bruxas e eu fui. O que me interessava era ficar boa …O psicólogo achei um cretino com delírios de assédio e na bruxa não acreditava em nada e achava aquilo patético. Um dia pedi que queria ir visitar uns familiares a Lisboa pois achava que ao ir lá ia buscar a minha paz. Fui e achei-me mal na viajem e vim doente.
Quando cá cheguei, tive de ir a um médico gastroenterologista e pela primeira vez na minha cabeça vi uma luz no fundo do túnel. Depois de vista pelo médico ele disse que eu não tinha nada e então eu contei-lhe que tinha uma depressão nervosa. Ele teve para mim uma frase que foi fantástica. A tal palavra de esperança dita na hora certa. Disse-me: uma depressão nervosa é a pior doença do ser humano pois tem todas as dores todos os sintomas de uma grande doença e nós não o podemos curar porque a doença não é física mas sim mental e a sociedade não dá o apoio devido a esses doentes. Aquelas palavras caíram em mim que nem faíscas. Pensei, mas vou dar eu!
A partir daí decidi que tudo em mim tinha de mudar, tudo. Pensei de mim para comigo, menina onde está o teu sorriso, onde está a tua rebeldia, onde está o teu ego, onde está a tua auto estima ? Pensei: porque me estou eu a anular? Tinha engordado um pouco e tinha deixado para o lado o meu ar de menina adolescente e colocado em mim o ar de mulher. Detestei-me quando me olhei no espelho e vi uma mulher sem interesse, gorda, mal vestida e feia, obediente e servil, sem personalidade, uma pessoa que vivia em função de umas pastilhas e obedecia a tudo e a todos. Era assim que queriam que eu fosse. Foi uma visão aterradora e a partir daí fui eu e o meu ego em luta. Dei luta e comecei por cortar à medicação e a fazer outras coisas como seja, comecei a praticar desporto, a sair, a arranjar-me e no prazo de 6 meses tinha perdido 12 kilos e deixado quase todos os medicamentos menos um. Comecei a ir ao cinema sozinha aos sábados à tarde, voltei a ler, comecei a pensar e acreditar que eu era uma vida e que eu era responsável por ela. Que estava na minha mão fazer tudo para ajudar esta vida que eu tinha a ser o melhor possível. Deixei de viver em função de outra pessoa e sim a viver para mim. É isso que ainda hoje faço.
Um dia alguém me disse que eu era uma pessoa carente num tom depreciativo!!! Eu sou um ser que sei viver e sei dar luta à vida, não piso ninguém, sou carinhosa, amiga de quem é meu amigo. Deixei de acreditar no amor, mas tenho muitos momentos em que me sinto vaidosa e que me sinto feliz por mim.
Mas fiz tudo, lutei por mim para aqui chegar. Sofri muito e ninguém me compreendeu mas eu percebi que precisava de lutar porque tinha decidido viver.