segunda-feira, 19 de março de 2007

A longa caminhada!...


O envelhecimento humano é um processo natural. Podemos dizer que envelhecer permite estar vivo muito tempo, o que abre perspectivas de vida mais alargada às gerações mais jovens.

O envelhecimento da população revela-se, deste modo, como uma tendência positiva que está intimamente ligada à maior eficácia das medidas preventivas em saúde, ao progresso da ciência no combate à doença, a uma melhor intervenção no meio ambiente e, sobretudo, à consciencialização progressiva de que somos os principais agentes da nossa própria saúde.

No entanto, as pessoas não envelhecem todas da mesma maneira. A par dos factores genéticos, que determinam muito do processo, há que realçar que não é igual envelhecer no feminino ou no masculino, sozinho ou no seio da família, casado, solteiro, viúvo ou divorciado, com filhos ou sem filhos, no meio urbano ou no meio rural, na faina do mar ou na intelectualidade das profissões culturais, no seu país de origem ou no estrangeiro, activo ou inactivo.

É a partir dos sessenta e cinco anos de vida, inscritos no bilhete de identidade, que, convencionalmente, as pessoas são consideradas idosas. Mas, a sociedade atribui-nos muitas idades: a idade cronológica, a idade biológica, a idade para andar, para tirar a carta de condução ou para a renovar, a idade da reforma. Temos também a idade que sentimos que temos e a idade que os outros vêem em nós.
Por Osvaldo Dias

segunda-feira, 12 de março de 2007

De profundis


Encontro, algures na minha natureza, alguma coisa que me diz que não há nada no mundo que seja desprovido de sentido, e muito menos o sofrimento. Essa qualquer coisa, escondida no mais fundo de mim, como um tesouro num campo, é a humildade. É a última coisa que me resta, e a melhor (...). Ela veio-me de dentro de mim mesmo e sei que veio no bom momento. Não teria podido vir mais cedo nem mais tarde. Se alguém me tivesse falada dela, tê-la-ia rejeitado. Se ma tivessem oferecido, tê-la-ia recusado (...). É a única coisa que contém os elementos da vida, de uma vida nova (...). Entre todas as coisas ela é a mais estranha (...). É somente quando as perdemos que nos damos conta da falta que nos fazem.

Beijinhos para todos os que muito gosto.

P.S. Um pedido: Se alguma professora de matemática passar por cá e me quizer fazer o favor de me fornecer umas fichas dessa discíplina agradecia muito.A minha sobrinha Adry tem algumas dificuldades nessa disciplina.Desde já obrigados

terça-feira, 6 de março de 2007

A foragida de Felgueiras e as fraquezas da democracia



Fátima Felgueiras é uma personagem detestável. Nas suas aparições diárias no pequeno ecrã, sorriso mais do que postiço afivelado no rosto, impecavelmente arreada com o que o dinheiro e um gosto de presidente de câmara de cidade média do interior permite comprar, rodeada de ignaros cidadãos que agradecem à iluminada presidente da câmara o facto de os ter usado no passado, e o de o continuar a fazer hoje, para fugir à justiça, entre outras coisas menores e maiores, Fátima Felgueiras ilustra bem muitos dos males da democracia.

Confesso que nunca perceberei como as pessoas não se importam que alguém que foi eleito para servir em nome delas, se sirva do cargo para se beneficiar, a ela, ao partido e a uns quantos amigos. Que alguém seja capaz de dizer “se ela fez isso outros fazem pior”, como ainda um destes dias se pôde ver, dito por um dos munícipes da personagem, é algo que me deixa perplexa.

Toda esta situação em torno da D. Fátima é, como já disse, ilustrativa de muitos dos males da democracia. Como primeiro mal, este processo ilustra bem a teia de interesses muito pouco claros em torno do poder local, verdadeiro foco de corrupção, como tantos têm afirmado (vide Maria José Morgado).

Como segundo mal, e intimamente ligada à situação anterior, a questão do financiamento dos partidos políticos, verdadeira razão pela qual este processo de Felgueiras se iniciou (com o famoso saco azul, usado para injectar ilegalmente dinheiro no PS, mas podia ser em qualquer dos outros).

Como terceiro mal, a forma como as relações pessoais influênciam tudo. Está até hoje indesmentido o facto de ter sido um juiz desembargador a informar Fátima Felgueiras de que a Polícia Judiciária se preparava para a prender, permitindo que ela fugisse para o Brasil, onde permaneceu feliz e livre, preparando o regresso a tempo de poder permanecer no cargo de “presidenta” da câmara de Felgueiras. O dito juiz, avaliado o seu comportamento pelo órgão de auto controlo da magistratura, lá permaneceu incólume e não incomodado.

Como quarto mal, e muito ligado ao anterior, a importância de se ter dinheiro para se ter “justiça”. Quem tem dinheiro pode “comprar” bons advogados, que usam os recursos da lei até ao limite do possível, explorando todas as hipóteses, garantindo o arrastar dos processos, e eventualmente até os evitando, à custa da alegação de ilegalidades e inconstitucionalidades.

Como quinto mal, a importância da televisão nos dias em que vivemos e da forma como isso pode ser usado para os piores fins. A D. Fátima usa, como poucos, a televisão em seu proveito. Usou-a no Brasil, usa-a aqui, todos os dias. As fatiotas com que se apresenta todos os dias, o calculismo milimétrico com que, hipócrita sorriso esboçado no rosto, toca, piedosamente, os desgraçados que se aglomeram à entrada do tribunal, na esperança de ver, de sentir, de ser tocados, pela endeusada D. Fátima, tudo isso contribuiu para que ela passe até à exaustão a imagem de uma mulher boa, honesta, perseguida por forças tenebrosas que a querem linchar na praça pública. O rosto dela, no entanto, é como o algodão - não engana - e tem indelevelmente marcado, a hipocrisia e o cínismo puro e genuíno.

Como sexto mal, a influência do nível de subdesenvolvimento cultural, social e educacional nas escolhas das pessoas. Não fossemos cultural e educacionalmente um país do terceiro mundo, e não haveria compaixão, não haveria pachorra para as Fátimas Felgueiras deste mundo. Nenhuma D. Fátima, nenhum Isaltino, poderiam sair-se bem em situações como as que conhecemos.

O sistema de justiça tem, agora, em Felgueiras, no Apito Dourado, no caso Casa Pia, de demonstrar que está á altura dos desafios que a situação actual colocada. Hoje o sistema está desacreditado. Espero, sinceramente, que a D. Fátima, ou os senhores dos apitos dourados e casa Pia, não tenham vitórias de secretaria, em que provas claras das respectivas malfeitorias (as escutas telefónicas) , não sejam admitidas por absurdos constrangimentos formais. Hoje, a sensação de que quem tem dinheiro se “safa” sempre, tem de ser eliminada, sob pena de o descrédito do sistema e do regime, ultrapassarem o ponto sem retorno.

Para bem do sistema judicial e da saúde da democracia espero, no final, ver o sorriso hipócrita e cínico da D. Fátima desaparecido dos ecrãs da televisão. Seria o primeiro sinal, em muito tempo, de que o crime de colarinho branco não compensa… Se assim não for, este sistema judicial terá assinado, assim espero, a respectiva sentença de morte!

Beijinhos para todos!...

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Correia de Campos, o imparável reformador


O Ministro da Saúde, António Correia de Campos, reputadissimo conhecedor do sector, um dos poucos teólogos de serviço no que a Serviço Nacional de Saúde diz respeito, prossegue a sua marcha reformista, com a subtileza de elefante em loja de porcelanas. Depois de ter presenteado o país com inovadores desincentivos ao recurso a cirurgias e ao internamento, com as já famosas taxas moderadoras, depois de, sem hesitação, ter fechado maternidades a torto e a direito, o reformador ministro voltou-se agora para a “reformulação” da rede de urgências.
Sempre apoiado no parecer de comissões técnicas acima de qualquer suspeita, o ministro prossegue, incansável, a sua missão reformista, cujo único propósito, como todos sabemos, é única e exclusivamente, melhorar as condições em que se prestam os cuidados de saúde a todos os portugueses. Sim, porque não é de poupar dinheiro que se trata, nada disso. Trata-se de melhorar a rede de urgências no que, diz o ministro, situação da qual podem até resultar aumentos de custos, com o equipamento adequado dos serviços que restarem, depois do encerramento. Pois...
A verdade é que, depois de várias tentativas frustradas, o ministro conseguiu pôr o país em polvorosa. Marchas lentas, manifestações generalizadas, tudo tem servido para que se faça sentir o descontentamento de quem vê na lista de serviços de urgência a encerrar, o serviço da sua terra. E, surpresa das surpresas, até autarcas e quadros políticos locais do partido do governo ameaçam juntar-se à onda de contestação...
Numa reviravolta de espectacularidade proporcional à elevada sensatez das intervenções públicas do ministro, o reformador ministro, nada impressionado com a contestação generalizada á bondade da reforma em curso, apesar da reunião com um “preocupado” primeiro ministro (encontraram-se, certamente, na Torre de Marfim, onde Sócrates descansa das agruras da governação diára, e de onde sai só para participar em bem encenadas operações mediáticas) bateu um record de rapidez, logo ele, que preside a um ministério conhecido pelas famosissimas listas de espera para cirgurgia: em menos de 24 horas (Dn dixit), assinou protocolos com 6 autarquias que, num ápice, passaram de uma situação em que os respectivos serviços de urgência se encontravam na lista dos que iam ser encerrados ou “despromovidos”, a outra em que, não só viram garantida a manutenção dos serviços de urgência, mas asseguraram igualmente melhorias nos horários de funcionamento de centros de saúde e viaturas especializadas em atendimento urgente... É caso para dizer: quem não chora...
O problema é que, com este tipo de estonteante mudança de estratégia, o reformador ministro deita por terra, sem qualquer rebuço, a eventual bondade da dita reforma e a própria seriedade com que as respectivas propostas podem ser encaradas.. Afinal, as decisões de encerramento são decisões com forte suporte técnico, ou não? Se são, como se pode mudar tudo, de um dia para o outro? Como se pode passar de uma situação em que se fecham serviços para outra em que os serviços a fechar são, afinal, reforçados?!
Correia de Campos provou uma verdade de todos conhecida, embora mais habitual na rapaziada do futebol: o que é verdade hoje, é mentira amanhã. Pelo caminho, deu cabo da própria capacidade de reformar o que quer que seja, pelo menos com a expectativa de poder ser visto pelos afectados por essas reformas, como alguém credor de respeitabilidade e credibilidade.
É pena. Confesso que os argumentos técnicos apontados pelo ministro pareciam respeitáveis. Ficou agora claro que não passam senão de adereços da farsa levada a cabo pelo incansável e reformador ministro da saúde: o aldrabão (político, bien entendu) António Correia de Campos.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Poesias que enchem a vida


A felicidade exige valentia...

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.

É saber falar de si mesmo.

É ter coragem para ouvir um "não".

É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?

Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."


Fernando Pessoa