quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Eu só queria fazer uma pergunta...Posso!



Em que local e ao cuidado de quem deveria ter ficado Esmeralda até Baltazar Nunes se sentir pai?Ou aceitar que queria ser o pai da filha que negou o apoio durante a gestação...E abandonou a mãe e filha na miséria, não fora o bom coração daqueles que a aceitaram, quando corria risco de vida.O que eles estão a sofrer por se apegar a uma criança rejeitada pelo pai, e abandonada pela mãe por falta de possibilidades para a ter.Como é possível, que se julgue com Decretos Lei, a vida de crianças e pessoas e não se atenda aos sentimentos dos envolvidos. Sei que se a criança for mais uma das que vai ser violada ou morta por maus tratos, para a justiça pouco importa é só mais um processo em tribunal que os senhores juizes vão ter de julgar e lavar as mãos como Pilatos. E a mãe e o pai adoptivos que a criaram até aqui! Que dor eles devem sentir por perder aquela que acolheram e amaram.
Luís Gomes e a mulher acolheram uma criança que ninguém queria.Amaram-na como se ama uma filha.
Esse foi o seu erro. Deviam ter-lhe ficado indiferentes. De futuro é melhor entregarem-se a máquinas as crianças cujos pais não ficam com elas. Assim, quando o amor paternal despertar, os autores biológicos dos seus dias podem levantá-las automaticamente e com testes de ADN incluídos

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terça-feira, 18 de setembro de 2007

Nostalgia




Nesse País de lenda, que me encanta,
Ficaram meus brocados, que despi,
E as jóias que plas aias reparti
Como outras rosas de Rainha Santa!

Tanta opala que eu tinha! Tanta, tanta!
Foi por lá que as semeei e que as perdi...
Mostrem-se esse País onde eu nasci!
Mostrem-me o Reino de que eu sou Infanta!

Ó meu País de sonho e de ansiedade,
Não sei se esta quimera que me assombra,
É feita de mentira ou de verdade!

Quero voltar! Não sei por onde vim...
Ah! Não ser mais que a sombra duma sombra
Por entre tanta sombra igual a mim!

Florbela Espanca

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

De Cócoras



Chega hoje a Portugal umas personagens mais marcantes da cena internacional. O Dalai Lama, líder espiritual do Tibete, Prémio Nobel da Paz, vem mais uma vez visitar o país, sempre com uma mensagem de paz e tolerância, como poucos líderes em situação semelhante seriam capazes de o fazer.

Seguindo a habitual postura da política externa portuguesa, que è a sujeição aos interesses externos, neste caso da "grande potência" chinesa, para quem o Dalai Lama é um enorme incómodo, nenhum governante receberá o Dalai Lama, para não incomodar a clique governante chinesa. A China é, como se sabe, um dos países que menos respeito tem pelos direitos humanos, que são atropelados de modo gritante, e a invasão do Tibete é apenas mais um desses episódios, que só continua a persistir na memória das pessoas e na imprensa, precisamente pelo trabalho incansável do Dalai Lama.

Tenho vergonha destas governantes. Somos um país que nem sequer tem memória. Ainda há poucos anos clamávamos contra a hipocrisia americana em relação a Timor Leste e agora aqui estamos, na mesma posição que tanto criticámos, em relação ao Tibete. O bem falante ministro dos Negócios Estrangeiros, o bem falante primeiro ministro dmonstram uma enorme covardia política e não recebem o Dalai Lama, logo secundados por esse outro exemplo de frio calculismo, que é o Presidente da República, que informou não ter agenda para receber o Dalai Lama. Ao menos, Jaime Gama, o Presidente da Assembleia da República, fica melhor na fotografia, porque o Dalai Lama será recebido, ainda que na qualidade de líder religioso.

O comportamento do governo e da presidência é vergonhoso. Ao menos, podiam lembra-se do papel que Portugal tentou desempenhar com Timor e do que teve de suportar, nessa altura. Mas esta postura não se limita ao tratamento dado ao Dalai Lama. Em nome da realização da cimeira da União Europeia com África, a postura é a mesma. Se, para se realizar a cimeira, tiver de se permitir a presença de um dos mais repelentes líderes do momento, o sanguinário Robert Mugabe, pois então que seja.
Não têm vergonha. Bem podiam lembrar-se que, quem não se dá ao respeito, não é respeitado e que quem muito se agacha...

sábado, 1 de setembro de 2007

Manhã de Setembro



Manhã de Setembro...

Cansados e sem paciência, eis-nos na primeira manhã de Setembro. Agosto terminou.
Devem ter terminado também as inúmeras reportagens, documentários e notícias sobre Diana Spencer. Terminaram as inúmeras contratações do Benfica. Terminou a guerra no BCP, com o triunfo do reformado fundador, cheio de palavras hipócritas para o "valoroso" presidente, que sai com 3 milhões no bolso.

Setembro aí está. Começa com 5 ministros e um número espantoso de secretários de estado, em mais uma missão de propaganda e evangelização, distribuindo computadores por esse país fora (Valentim Loureiro, volta, estás perdoado!).

A ofensiva contra a imprensa continua. Quem se atrever a publicar escutas telefónicas, mesmo fora do segredo de justiça, corre o risco de passar um ano de cadeia (ah facínoras, é assim mesmo, os verdadeiros criminosos atrás das grades). Valentim, grande Valentim, és o homem do momento! O futuro dá-te razão!

As taxas de juro vão continuar a subir. A Ota ainda é possível. Já vos disse que o Teixeira Pinto levou 3 milhões?! Raios, ao menos que o Benfica ganhe ao Nacional!

Cansados e sem paciência. Manhã de Setembro...

sábado, 18 de agosto de 2007

Lembranças do meu pai

Do meu pai herdei a aparência física, principalmente, e também o espírito aventureiro,e uma vontade enorme de conhecer pessoas, de não ter medo de enfrentar a vida, de não temer nada nem ninguém, de não viver pela cabeça dos outros mas sim da minha.


Por causa dessa maneira de encarar a vida, nunca fomos ricos. Sempre tivemos uma situação estável financeiramente, mas ele sempre nos procurou passar a sua vasta experiência de vida: nada era dado gratuitamente,desde cedo mesmo muito cedo, começou a aplicar sobre nós o provérbio Chinês, que diz não dês um peixe; ensina a pescar.O meu pai era um homem de negocios e como tal cedo nos meteu o bichinho, de sequeres ter vai á luta...

Nos vícios dele, porque ele foi um fumador inveterado, sempre soube impor o respeito de não autorizar que alguém fumasse. Fomos 11 filhos, e só os dois mais novos fumaram. Sempre exigiu de nós respeito,tanto para com ele como socialmente. Nunca autorizou que um filho dele andasse à bulha com amigos ou outra qualquer pessoa, o respeito estava acima de tudo e de todos. Sempre nos ensinou a ter só o que era nosso. Lembro um dia uma colega da escola, para conquistar a minha amizade, deu-me uns brincos de ouro, teria eu os meus 10 anos. Ele ao tomar conhecimento através da minha mãe, pegou nos brincos e foi entregá-los á mãe da rapariga Não me disse nada mas penso que ficou contente, por eu ter contado em casa.


Sempre nos deu aquilo que lhe foi dado a ele, respeito pelas coisas da igreja, sempre nos guiou no sentido de que nos tornássemos boas pessoas, cumpridoras, respeitadoras e honestas.
O meu pai, não era homem de mostrar afectos, mas nós sabíamos que ele estava sempre perto quando dele necessitavamos,nunca nos abandonou apesar de Galâ e namorador… Muitas vezes recordo que quando eu dava um gemido pela noite devido a estar doente, ele se levantar e vir ver o que eu tinha, fazia o mesmo com os meus irmãos. Fazer-nos chá e se tinhamos febre colocar-nos panos molhados no corpo, até o febre baixar. Tinha um grande amor pelos filhos embora não o mostrasse e pela mulher muito á maneira dele sei que nos amava. Gostava de serões com familiares e amigos,de quando em vez existiam jantares lá em casa, onde nós (filhos) não tinhamos acesso, por sermos pequenos. O meu pai era muito estimado por toda a gente e muito respeitado.


Naquela época os vícios mais falados e praticados, eram os "inocentes" (fumo, bebida e jogo). Bons tempos aqueles em que drogas não sabíamos o que era a não ser coisas da drogaria para a higiene do lar e dos animais.


Exigia que, quando nos chamava, respondêssemos com a palavra "senhor" e nós o tratasse-mos por Paizinho, dizendo ser um tratamento respeitoso para com os pais e filhos, onde devia imperar o respeito. Frisava sempre que tinhamos de respeitar as pessoas mais velhas,não admitia faltas de respeito.

Procurei aproveitar bem tudo o que o meu pai me ensinou, pois nunca me deixei levar pela falta de respeito ou alguma vez esqueci o que simbolizava para ele um filho respeitador. Foi o meu Ídolo, sempre senti vaidade por ser filha daquele homem bonito e charmoso. Era um conquistador. Recordo-o como um galã que andava com "namoradas", mas a minha mãe não ligava, ou pelo menos ria-se quando lhe contávamos que o tínhamos visto com uma moça, nunca vi a minha mãe a discutir com o meu pai por ciúmes, talvés ela soubesse o quanto ele gostava dela. Quando ele chegava, claro, acusava-o de não ter vergonha e perguntava-lhe se era aquilo que queria ensinar às filhas. Ela ria-se, e respondia que não era nada com elas. Eu ria de feliz por o meu pai ser assim, ficava toda envaidecida, pois os pais das minhas amigas não eram como o meu ele era muito bonito e charmoso e muito muito vaidoso, lamento que o meu pai nunca me tivesse dado a oportunidade de lhe dizer que eu gostava muito dele.Ele era uma pessoa bastante austéra apesar de gostar muito dele e ter a certeza que ele nos adorava, ele era pouco dado a lamechices, ou pelo menos foi isso que sempre entendi.

O meu Pai foi o único homem que amei na vida, o meu pai foi o único homem que me amou, o meu Pai foi o único homem que me deu proteção, o meu Pai nunca soube quanto eu o amava... Sinto tantas saudades de quando eu era pequena andar ao colo do meu Pai abraçada ao pescoço dele. Lembro com uma certa nostálgia de estar sentada no joelho do meu pai enquanto ele conversava com amigos e a deitar a cinza do cigarro dele ao chão.Porque é que eu cresci. Eu queria aquele meu pai. Tenho alturas em que tenho tantas saudades dele.


Nos primeiros anos da minha vida olhava o meu pai e pensava que queria, um dia arranjar, um homem como ele. Apesar de um final de vida menos bonito, devido a desentendimentos com a minha mãe, nunca esqueço o meu pai,nos momentos importantes da nossa vida nunca nos abandonou, mesmo quando já não estávamos com ele. À maneira dele sei que nos trazia sempre carregados no coração.




Era assim o Meu Pai…