terça-feira, 18 de dezembro de 2007

As "reformas"

Noticia hoje a imprensa que a grande operação de PJ de combate à criminalidde violenta no Porto, que o ministro da Justiça correu, pressuroso a elogiar publicamente, só foi possível devido à boa vontade dos investigadores da Polícia Judiciária. Ao que parece, para que a operação se pudesse realizar nos moldes em que se realizou, era preciso um enquadramento financeiro para o qual não havia verbas.

Assim, em lugar de convocar quem tinha de ser convocado e pagar-lhe o que tinha de ser pago, a Polícia Judiciária teve de contar com a boa vontade dos seus agentes, que se voluntariaram para participar na operação, suspendendo inclusivé uma "luta" que a associação representativa dos agentes tem vindo a manter com o governo.

Tal como noutras áreas, esta situação ilustra a forma como este governo tem "reformado" a administração pública: não racionaliza, não reestrutura, pura e simplesmente subfinancia, conseguindo com isso o grande objectivo: convencer-nos que o défice, esse monstro, em relação ao qual um ilustre socialista chegou a dizer que havia vida para além dele, está sob controlo.



José Socrates, o grande reformador!



Claro que se subfinanciar a saúde, deixando amontoar as dívidas, se não se pagar horas extraordinárias e outras horas à PJ, se não se pagaram horas extraordinárias aos médicos, se forem transformados institutos públicos em sociedades anónimas, se as universidades forem mortas à mingua de financiamento, ilustrando o enorme embuste da aposta na formação, se todos passarmos a pagar tudo (saúde, justiça, estradas), para além dos impostos, claro que se acaba com o monstro!

Digam lá que o nosso primeiro não é o melhor ... dos últimos 5 anos (sim, porque Barroso e o espantoso Santana são excelentes referências, claro)! Sócrates, o grande reformador!

domingo, 9 de dezembro de 2007

Quem se importa?

Quem se importa, para além do próprio e do seu séquito de apoiantes? Quem se importa com o tratado de Lisboa ou as palavras ocas sobre o "fantástico sucesso" da cimeira União Europeia / África? Quem se importa com a óbvia enebriação daquilo que o Sr. José Socrates Pinto de Sousa julga ser a sua afirmação de estadista?



Porreiro, pá, somos uma dupla duplamente imbatível!


Quando acabar esta cimeira que roubou Lisboa aos lisboetas, e a pomposa assinatura do já famosos Tratado de Lisboa, no final da semana, o que terá mudado na vida dos portugueses? Nada, rigorosamente nada. Enquanto o Sr. José Sócrates Pinto de Sousa faz figura na imprensa mundial, com a voz tonitruante mas discurso vazio de substância, nada de essencial terá mudado em Portugal. O Sr. Pinto de Sousa já nos habituou a estes discursos, em tom inflamado, mas cheios de nada para aquilo que facto importa para quem vive aqui: mudanças concretas para a vida de cada um.

Estas semanas de "loucura europeia", em lugar de apontarem para o Sr. José Sócrates Pinto de Sousa como um lider de estatuto mundial, apenas fizeram uma coisa, na minha modesta opinião: tornaram ainda mais evidente o abismo entre os políticos e o cidadão normal, aquele que se preocupa todos os dias com os salários, o desemprego, o aumento da prestação da casa, ou as outras pequenas coisas do dia a dia para as quais é cada vez mais difícil evitar a angustia, quando nelas se pensa. ´

O Sr. Sócrates Pinto de Sousa pode achar que é um líder mundial mas, para além dos que dependem dele para o empregozito da ordem, acho que ninguém se importa!

sábado, 1 de dezembro de 2007

A mulher e a religião



Ao que dizem, presidiu o dr. Mário Soares esta semana a um curioso colóquio sobre "A mulher nas religiões". Não que o assunto em si mereça a mais remota crítica. Toda a gente tem o direito de falar do que lhe apetecer. Mas, pelo jornais, parece que tanto o dr. Mário Soares como, por assim dizer, os "coloquiantes", penetrados pelo justo e meritório princípio da igualdade de género, criticaram duramente o papel da mulher no cristianismo e no judaísmo (no islamismo, pelo menos directamente, ninguém tocou). O dr. Mário Soares, por exemplo, citando a Bíblia em seu apoio (a notícia não especifica a passagem), lamentou que a mulher fosse considerada propriedade do homem. E a sra. dra. Manuela Augusta, do PS, declarou que, ao "discriminar a mulher", "um grande número de religiões pregou em vão, agiu de má-fé" e "desrespeitou o sagrado e o divino".
É sem dúvida lamentável que a gente que escreveu o Antigo Testamento entre o século X e o século II a.C. não conhecesse e privasse com o dra. Augusta e o dr. Mário Soares, para vantagem da humanidade e da correcção política. Sobretudo, como hoje se constata, a ausência da dra. Augusta (e do PS) foi trágica. Nem Jesus se conseguiu salvar da catástrofe, embora o dr. Soares, tentando apaziguar as coisas, admitisse que o Novo Testamento "adoçou um pouco a imagem da mulher" e a dra. Vilaça, socióloga, simpaticamente observasse que, no catolicismo, o "culto mariano e a importância" da figura da mãe compensavam "de certa forma" a notória perversidade de Roma. Estas consolações não comoveram a audiência.
Em desespero de causa, o teólogo Bento Domingues, deste jornal, resolveu garantir que, na tradição da sua Igreja, "o cristianismo é uma invenção de mulheres, seduzidas por um Cristo feminista". Por abjecta ignorância (e reverência), não me atrevo a discutir com frei Bento uma tese tão inquietante. Só sei que nem esta ideia radical abalou a dra. Augusta. A dra. Augusta "não fica descansada" lá porque a mulher "é enaltecida" em "textos religiosos". De maneira nenhuma. Como presidente do Departamento das Mulheres Socialistas, uma seita temível, não descansa enquanto não corrigir em pessoa, e em assembleia geral, os "textos religiosos" que por aí andam a pregar, com insídia, a supremacia do homem.
Para terminar o colóquio numa nota alegre, o dr. Mário Soares confessou que se Deus de facto existir lhe dirá, como Mitterrand: "Afinal existes." Gostaria de prevenir o dr. Mário Soares que, se Deus de facto existir, Mitterrand tratou provavelmente com outra Entidade.

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Para quem quizer ler!


O Governo faz de sonso. O assunto é sério e as consequências graves, mas por razões ideológicas o Executivo anda no "bate e foge".

A 18 de Maio de 2004 foi assinada no Vaticano a nova Concordata entre Portugal e a Santa Sé, aprovada pela Assembleia da República a 16 de Novembro (resolução 74/2004). Desde então... nada. A Concordata tem de ser regulamentada por uma quantidade de diplomas complementares e, enquanto não é, continuam em vigor as regulamentações da anterior Concordata de 1940. Mas o Governo finge-se distraído e actua como se não existissem regras. Os funcionários vão minando e agredindo e, quando os bispos reagem, o primeiro-ministro acode pressuroso assegurando não pretender uma questão religiosa.

A situação é compreensível e até normal. Todos os países crentes têm sempre uma activa minoria anti-religiosa. O ateísmo como a superstição são subprodutos extremos do mesmo tipo de sociedade. Aliás, muito do fervor e zelo que tantos anticlericais põem na sua acção pode ser visto como manifestação de intensa fé mística. Por isso o mundo tem uma longa história deste tipo de embates, aliás profetizados pelo próprio Cristo. Mas em Portugal, curiosamente, ambos os lados aprenderam da maneira mais dura os enormes custos dessa luta. Por isso hoje por cá o combate é surdo e oculto.

Os católicos foram os primeiros a compreender que a reacção violenta tem terríveis prejuízos. O miguelismo, que tentou responder frontalmente à crescente onda jacobina, não só foi derrotado mas gerou a longa e degradante servidão da Igreja sob o jugo liberal na segunda metade de Oitocentos. Com a Lei de Separação da I República foi a vez de maçons e laicistas imporem a sua vontade pela força, tentando erradicar a oposição. O resultado foram 48 anos de exílio e ditadura salazarista. Hoje, finalmente, ambos os lados aprenderam que têm de viver juntos. Isso não impede que, em certos momentos políticos, os mais fervorosos tentem agredir o outro lado. O Governo Sócrates, talvez inspirado pelas tolices de Zapatero, que brinca com o fogo aqui perto, tem-se revelado particularmente virulento.

A Igreja tem em Portugal uma vastíssima acção social, com enormes benefícios para toda a comunidade. Na saúde, educação e imprensa, no património, animação cultural e assistência, no combate à pobreza, solidão e doença, nas prisões, hospitais, forças armadas, nas capelas mortuárias e cemitérios.

A esmagadora maioria das IPSS, creches, ATL, centros de dia e jornais regionais pertencem à Igreja. Uma enorme percentagem das escolas privadas, clínicas, grupos culturais, apoios domiciliários são animados pelos cristãos. Houve tempos em que a fé era simplesmente a vida, sem se dar pela diferença. Hoje, que gostamos de contabilizar essas coisas, a influência da Igreja é literalmente incalculável. Apesar disso, provavelmente por causa disso, a animosidade contra a Igreja permanece palpável, sobretudo em certas épocas.

O método tradicional é o lento estrangulamento. O Estado tributa furiosamente para depois com esse dinheiro fazer mal aquilo que a Igreja faz bem. Entretanto os inspectores paralisam as instituições católicas com regulamentos e exigências tolas.

Este método tem a vantagem de fingir que se faz política social e promoção da qualidade. O mais incrível é a flagrante insensibilidade para com a sorte e o bem-estar dos pobres, doentes, crianças, necessitados, que se diz proteger mas são usados como joguete na campanha ideológica.

Ultimamente avançou-se para um confronto mais aberto. Em nome da igualdade abstracta das religiões oprime-se a única que tem real expressão social. Os capelães hospitalares, prisionais e castrenses fazem um serviço inestimável e insubstituível. O Estado decide intrometer-se na intimidade das pessoas só para complicar e estragar.

A Igreja beneficia com estas perseguições. Mesmo hipócritas e veladas, elas desinstalam-na, estimulam-na, purificam-na. Se não fosse o enorme sofrimento que causam nos pobres, até se deviam aplaudir estes ataques.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Hoje a Adry renasceu...


"Há um tempo em que é preciso
abandonar as roupas usadas
Que já têm a forma do nosso corpo…
E esquecer os nossos caminhos que
nos levam sempre aos mesmos lugares.

É o tempo da travessia
E se não ousarmos fazê-la
Teremos ficado para sempre
À margem de nós mesmos."

Fernando Pessoa


Parabéns amiga. Sê forte, sempre. Com a ajuda dos teus amigos...